Anorexia e Bulimia

A anorexia é definida como um transtorno do comportamento alimentar caracterizado por limitações dietéticas auto-impostas, padrões bizarros de alimentação com acentuada perda de peso induzida e mantida pelo paciente, associada ao intenso temor de tornar-se obeso.

 

Todavia, a expressão anorexia não expressa adequadamente a situação, uma vez que o termo significa perda do apetite, sintoma que, pelo menos no início do quadro, não é observável. Pelo contrário, há luta ativa da pessoa contra a fome, por meio de inúmeras estratégias e comportamentos. A anorexia incide, preferencialmente, na adolescência, na faixa etária dos 13 aos 17 anos, e ocorre quase exclusivamente (90% dos casos), em pacientes do sexo feminino.


Algumas características são observadas nas pacientes que desenvolvem o quadro: comportamento prévio exemplar no núcleo familiar e no ambiente escolar; presença de sensações distorcidas relativa à percepção e ao controle do corpo; dificuldade na identificação de estados emocionais; medo excessivo de não aprovação social.

 

Aspectos também salientados dizem respeito ao conjunto de crenças observado nas pacientes anoréxicas, em geral, perpetuado por tendências distorcidas e disfuncionais de raciocínio acerca do peso, alimentação e valor pessoal e determinante para o desenvolvimento e a manutenção do transtorno alimentar.

A paciente anoréxica acredita que a aparência seja fator determinante de avaliação de seu valor pessoal e que, para ser aceita e respeitada pelos outros, necessita ser magra. Outra característica evidenciada é o de que a perda de peso solucionaria todos os problemas vivenciados, tornando o emagrecimento um objetivo de vida.

 

Em relação ao tratamento, não existe unanimidade a respeito de uma única forma efetiva para a anorexia. Pelo contrário, seu tratamento baseia-se, em geral, na psicoterapia, no uso de psicofármacos e, dependendo das condições clínicas da paciente, na hospitalização. Todavia, é consenso que o tratamento hospitalar é recurso que deve ser utilizado com parcimônia e cautela.

 

Bulimia é um transtorno alimentar caracterizado por períodos de compulsão alimentar seguidos por comportamentos não saudáveis para perda de peso rápido como induzir vômito (90% dos casos), uso de laxantes, abuso de cafeína, uso de cocaína e/ou dietas inadequadas.

 

Diferencia-se da anorexia  por envolver grande variação de peso, descontrole alimentar frequente e estar mais associado a depressão maior, enquanto a vítima de anorexia nervosa está mais associado com uma magreza excessiva, longos períodos sem se alimentar e transtornos de ansiedade. Tem incidência maior a partir da adolescência e cerca de 90% dos casos ocorre em mulheres. 

 

A pessoa portadora do quadro de bulimia tende a apresentar períodos em que se alimenta em excesso, muito mais do que a maioria das pessoas conseguiriam se alimentar em um determinado espaço de tempo. Tal comportamento geralmente é seguido pelo sentimento de culpa e por tentativas para evitar o ganho de peso como  jejuns prolongados, vômitos auto-induzidos,  uso de laxantes, diuréticos, prática de exercícios excessiva, lipoaspiração e outros procedimentos cirúrgicos para reduzir o peso.

 

Dentre alguns aspectos psicológicos característicos nas pacientes bulímicas, a literatura assinala a evidência de baixa auto-estima, perfeccionismo, exigência e crítica excessivas, insatisfação constante, dificuldade para a obtenção de prazer e satisfação de maneira satisfatória.

 

O tratamento mais eficaz é o multiprofissional, uma vez que envolve  acompanhamento psicológico, psiquiátrico e nutricional. Em certos casos, principalmente quando há sério comprometimento da saúde, faz-se necessária a internação da paciente.

 

Entretanto, é frequente que a paciente não reconheça a necessidade de tratamento e se recuse ou adie sem tempo determinado a iniciá-lo. Particularmente, nestes casos, o aconselhamento familiar é indicado.

 

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